Osmar Junior

[…]O terra, terra, terra! Ouve a palavra do SENHOR. — Jeremias 22:29

Os Fatos Sobre Criação e Evolução

Que conseqüências sociais e políticas recentes podem ser atribuídas à crença evolucionista?

O filósofo Will Durant notou certa vez: “Ao oferecer a evolução em lugar de Deus como uma causa da história, Darwin removeu a base teológica do código moral da cristandade. No entanto, o código moral que não teme a Deus é bastante frágil. Essa é a condição em que nos encontramos. Não penso que o homem já seja capaz de lidar com a ordem social e a decência individual sem temer algum ser sobrenatural que tenha autoridade sobre ele e possa castigá-lo”.[1] Podemos confirmar em toda parte que a declaração de Durant estava correta.

Num Universo que, em última análise, não tem razão de ser, o que acontece com a ética individual e social? Por que os mais poderosos e inteligentes entre nós não devem manipular os menos inteligentes e menos poderosos para os propósitos que consideram “bons” e “respeitáveis”?

O século XX está repleto de exemplos. Os últimos 80 anos testemunharam alguns dos maiores horrores de toda a história da humanidade – principalmente o resultado das atrocidades nazistas e comunistas. A Alemanha nazista foi hedionda e o comunismo foi responsável pela morte de aproximadamente 25 vezes mais pessoas que as sacrificadas por Hitler![2]

Essas ideologias, porém, continuam ainda vivas. Na Alemanha de hoje, o neonazismo se tornou uma poderosa força social e o neofacismo está crescendo na Itália – quase inconcebivelmente, sob a liderança da própria neta de Mussolini. Apesar do colapso do comunismo na Europa e na Rússia, a teoria marxista continua dominando mais de um bilhão de pessoas na China e em outros países. Ninguém pode ter também certeza de que a Rússia e a Europa Oriental vão continuar seu movimento em direção à democracia.

O que tudo isso tem a ver com a evolução naturalista? A evolução está baseada na premissa de que o tempo mais a matéria impessoal mais o acaso formaram todos os seres vivos. Em essência, o homem se torna algo como um acidente trágico, não tendo valor final, girando a velocidades vertiginosas através dos corredores sombrios do espaço.

Visões filosóficas moldadas por pensamentos desse tipo podem, entretanto, encontrar facilmente expressão lógica na vida diária de milhares de indivíduos. Isso foi reconhecido por Sedgwick, um geólogo de Cambridge e conhecido de Darwin, que achou que Darwin havia mostrado a cada criminoso como justificar seu comportamento. Ele também cria que se os ensinos de Darwin tivessem larga aceitação, a humanidade “iria ser prejudicada a ponto de brutalizar-se e fazer a raça humana mergulhar num grau maior de degradação do que qualquer outro em que tivesse caído desde que os seus registros escritos nos contam a sua história”.[3]

Um dos maiores evolucionistas de épocas recentes foi o antropólogo Sir Arthur Keith. Ele dedicou mais tempo ao estudo da ética evolucionista do que talvez qualquer de seus contemporâneos. A sua obra Evolution and Ethics (Evolução e Ética) mostra que a ética ensinada pelo cristianismo e a da evolução não são compatíveis: “O ensinamento cristão está… em oposição direta à lei da evolução” e, “a ética cristã não se harmoniza com a natureza humana e é secretamente antagônica ao esquema de evolução e ética da natureza”.[4]

Keith também compreendeu que, se seguirmos a ética evolucionista até a sua conclusão estrita e lógica, devemos “abandonar a esperança de alcançar um dia um sistema universal de ética” porque, “como acabamos de ver, os caminhos da evolução nacional, tanto no passado como no presente, são cruéis, brutais, implacáveis, impiedosos”.[5]

De fato, quando examinamos a influência social e política da teoria darwiniana sobre a última metade do século dezenove e todo o século vinte, as conseqüências morais são algumas vezes amedrontadoras. O próprio Keith observa o gélido impacto da teoria de Darwin sobre a Alemanha:

Vemos Hitler supremamente convencido de que só a evolução produz uma base verdadeira para a política nacional… Os meios adotados por ele para assegurar o destino da sua raça e do povo foram matanças organizadas, que saturaram a Europa de sangue… Tal conduta é altamente imoral quando medida por qualquer escala de ética, todavia a Alemanha a justifica; ela está de acordo com a moral tribal ou evolucionista. A Alemanha voltou ao passado tribal e está demonstrando ao mundo, em toda a sua nudez, os métodos da evolução…[6]

Na Alemanha, Hitler viu na teoria evolucionista a justificação “científica” de seus pontos de vista pessoais. “Não há dúvidas de que a evolução foi a base de todo o pensamento nazista, desde o início até o fim. Todavia, é de fato um fenômeno notável que tão poucos tivessem se apercebido disso até hoje”.[7]

Uma forma de darwinismo foi também utilizada efetivamente na propagação da ideologia comunista. Karl Marx “sentiu que sua obra era um paralelo exato da de Darwin” e ficou tão grato que quis dedicar uma parte do livroDas Kapital (O Capital) a Darwin, que declinou a honra.[8]

Marx escreveu a Engels com respeito a A Origem das Espécies, dizendo que o livro “contém na história natural a base para as nossas opiniões da [história humana]”.[9] Em 1861, ele também escreveu: “O livro de Darwin é muito importante e me serve como base na seleção natural para a luta de classes na história…”[10]

O Dr. A. E. Wilder-Smith comenta: “A propaganda política e anti-religiosa publicada desde os dias de Marx está eivada do darwinismo mais primitivo”, observando que “ela brutaliza aqueles a quem domina”.[11]

A filosofia de Marx, como a de Hitler, refletia a brutalidade da natureza. Ele se referia ao “desarmamento da burguesia… terror revolucionário… e criação de um exército revolucionário…” Além disso, o governo revolucionário não teria “nem tempo nem oportunidade para a compaixão e o remorso. Seu intento era aterrorizar os oponentes até a sua submissão. Ele deve desarmar o antagonismo mediante execução, prisão, trabalho forçado, controle da imprensa…”[12]

Em vista do impacto de Hitler, Marx e seus associados, e a ligação demonstrável de suas filosofias desumanas com o ateísmo evolucionista, os comentários do filósofo histórico John Koster são pertinentes:

Muitos nomes foram citados além dos de Hitler para explicar o Holocausto.

De modo estranho, o de Charles Darwin quase nunca se encontra entre eles. Todavia… as idéias de Darwin e de Huxley quanto ao lugar do homem no Universo prepararam o caminho para o Holocausto… Hitler e Stalin assassinaram mais vítimas inocentes do que as que morreram em todas as guerras religiosas na história da humanidade. Eles não assassinaram essas vítimas enganados pela idéia de salvar as suas almas ou punir os seus pecados, mas por serem competidores na questão do alimento e obstáculos ao “progresso evolutivo”. Muitos humanitários, cristãos, judeus, ou agnósticos compreenderam a relação entre as idéias de Nietzsche e as equipes de assassinato em massa e os crematórios de Hitler. Poucos, porém, voltaram um passo atrás fazendo a ligação com Darwin, o “cientista” que inspirou diretamente a teoria do super-homem de Nietzsche e o corolário nazista de que alguns indivíduos são subumanos. A evidência estava toda ali – o termo neodarwinismo foi usado abertamente para descrever as teorias raciais nazistas. A expressão “seleção natural”, como aplicada a seres humanos, foi encontrada na Conferência de Wannsee no principal documento do Holocausto…

Podemos ver os eventos na Alemanha de Hitler e na Rússia de Stalin como uma coleção sem sentido de atrocidades que tiveram lugar porque os alemães e os russos são pessoas perversas, nada parecidas conosco. Ou podemos compreender que a imposição das teorias de Huxley e Darwin, de que a-vida-é-patológica, de depressão clínica disfarçada em ciência, desempenhou um papel crítico na era das atrocidades. E que isso nos sirva de aviso. As pessoas têm de aprender a deixar de pensar em seus semelhantes como se fossem máquinas e aprender a pensar neles como homens e mulheres possuidores de uma alma…”[13]

Notas

  1. Will Durant, “Are We in the Last Stage of a Pagan Period?” Chicago Tribune, Syndicate (abril de 1980); de Morris, The Long War, 149.
  2. Registros da KGB publicados: Aleksandr Solzhenitsyn, Warning to the West (Nova Iorque: Farrar, Straus & Giroux, 1977), 129; As mortes na China comunista alcançam mais de 30 milhões segundo algumas estimativas.
  3. Marshall e Sandra Hall, The Truth (Nutley, NJ: Craig Press, 1974), 100.
  4. Sir Arthur Keith, Evolution and Ethics (Nova Iorque: G. P. Putnam’s Sons, 1947) 69-70.
  5. Ibid., 15.
  6. Ibid. 28-29, 230.
  7. Morris, The Long War, 79; cf. Benno Muller-Hull, Murderous Science: Elimination by Scientific Selection of Jews, Gypsies and Others in Germany 1933-1945 (Nova Iorque: Oxford University Press, 1988) para documentação do papel desempenhado pelos cientistas evolucionistas alemães nas políticas raciais nazistas.
  8. Burrow, ed., Origin of Species, 45: Jacques Barzun, Darwin, Marx, Wagner: Critique of a Heritage (Garden City, NY: Doubleday, 1958), 8; cf. Q. V. “Darwinism”, Encyclopedia of Philosophy, Vol. 2, 304.
  9. Em David Jorafsky, Soviet Marxism and Natural Science (Nova Iorque: Columbia University Press, 1961), 12; Morris, The Long War, 84.
  10. Hall e Hall, The Truth, 139-140.
  11. A. E. Wilder-Smith, Man’s Origin – Man’s Destiny: A Critical Survey of the Principles of Evolution and Christianity (Wheaton, IL: Harold Shaw, 1970), 192-195.
  12. Hall e Hall, The Truth, 150-151, citando Harold J. Laski, Karl Marx: An Essay (Londres: The Fabian Society, 1925), 19, 39.
  13. John P. Koster, Jr., The Atheist Syndrome (Brentwood, TN: Wolgemuth & Hyatt, 1989), 142, 187-189

(John AnkerbergJohn Weldon – http://www.chamada.com.br)

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